De corpo atirado ao acaso, lábios de prazer
Para meu belo ver, tudo sentir, tudo escrever...
De moça muito pouco, tudo de muito mulher
Para mim, para adorar, ficar como se quer...
Pela perna passo a mão, subo a anca,
Desço a cintura, aquela curva que me destranca...
A mão pelas costas, sinto-te, e no ombro a pausa
O toque trémulo que é, de todas as coisas, a causa...
O sorriso desvanece, aparece, no prazer ofegante
Nas ondas negras onde me perco sem norte
Quando respiras fundo, aperto suave e forte...
Mulher sensual, anormal no prazer desnorteante
Assim fico, assim me vejo enrolado no teu calor,
Que me queima a pele, que me liberta de todo o pudor...
13 Dezembro 2009
Ondas Negras
07 Novembro 2009
Fado
Da melancólica e triste viagem nasceste para aquecer,
Fazer esquecer, as saudades sentidas por esses mares...
Do coração, puro de aventureiro, vieste enriquecer
Uma cultura, um povo, séculos de tempos e lugares...
Por ti passaram todos os bons e por todos nós
Passaste, como uma brisa, da nossa guitarra,
Portuguesa, essa que mais ninguém tem, que toca feroz
Pelo amor, amizade, saudade nos copos e na farra...
Agora espalhado, enraizado, cantas ao mundo
A nossa sorte por todos os cantos, por todo o lado,
O nosso sangue, cantas e não deixas calado!
Agora pelos bairros antigos ouvimos ao fundo
Os mundanos versos de um amor perturbado...
E agora silêncio, que se vai cantar o fado!
03 Novembro 2009
Desculpa
Senti que me tocavas com o olhar, sem a maldade
Dos fracos, pobres sem espírito, incompetentes emocionais...
Senti o carinho paternal, segurança e veracidade
No momento desumano dos humanos e outros que tais...
Senti o teu abraço quente e forte, com respeito
Por mim, no meu interior, que proteges e exaltas...
Senti que podia ali ficar, sem receio do efeito
Que, de mim, se apoderou de vontades mais altas...
Mas depois acordei com medo e frio
De tudo e nada, de ninguém perto, nem longe,
Como se dentro de um barco solitário num rio...
Sem saber porque ali estava... e fugi sem culpa!
Sem ver, sentir, desvendar o porquê do sussurrar
Que hoje te disse, numa única palavra, desculpa...
Cris
02 Novembro 2009
Assim
Ver-te, assim, a olhar o horizonte
Com doces olhos de mel contornados pelo mar...
Faz-me querer ser, de onde bebes, a fonte,
A areia, o mar, que esperam sem cansar...
Sentir-te, assim, a falta na tua presença,
O toque sem desavença, sensível, das mãos vividas
Faz-me querer ser, de qualquer dia, o Sol sem crença,
Que abraças, e queima, e arde, e consome vidas...
Cheirar-te, assim, de tão perto inatingível
Alucina-me, esvazia-me, tira-me os sentidos,
Todos eles, acabados, desencontrados, perdidos...
Querer-te, assim, sem razão, perdidamente,
Devolve-me todos os sentidos numa dança inerte
De desejo súbito, de incontrolável vontade de querer-te...
30 Outubro 2009
Véu
Tu, que já estiveste no céu,
Não te escondas agora.
Abre a porta, salta o muro cá para fora,
Deixa-me desvendar esse véu...
Tu, que já viveste o amor,
Não desistas de viver.
Existe um mundo inteiro por conhecer,
Um mundo lindo, sem mentira, sem dor...
Caminhando pelo vazio,
Chegas a lado nenhum, acabas perdida...
Sem destino, sem fim, sem ser querida!
Não tenhas medo,
Não fiques escondida...
Dá-me parte do teu viver, da tua vida!
